Em uma época marcada pela crise das identidades, pela solidão digital, pela fragilidade dos vínculos e pela dificuldade crescente de habitar o próprio corpo, o fenômeno Therian emerge como uma linguagem inquietante do nosso tempo. Jovens e adultos que se identificam, em diferentes níveis, com animais não humanos desafiam a família, a escola, a clínica, a medicina, a psicologia, a psicanálise e a sociedade a fazerem uma pergunta mais profunda: o que está sendo dito quando alguém afirma não se sentir inteiramente humano?Este livro não trata o Therianismo como espetáculo, moda passageira ou transtorno automático. Com rigor clínico, sensibilidade ética e ampla visão interdisciplinar, a obra percorre a historicidade da relação entre humano e animal desde o xamanismo, os mitos antigos, os totens, as tradições espirituais e os arquétipos até os fóruns digitais, o TikTok, as comunidades online e as novas formas de autoidentificação contemporânea.A partir de Freud, Lacan, Dolto, Winnicott, Jung, Bion, Ferenczi, Damásio, Panksepp, Vygotsky, Wallon, Merleau-Ponty, Foucault, Lévi-Strauss, Mircea Eliade e tantos outros pensadores, a autora investiga o Therianismo como fenômeno simbólico, corporal, psíquico, espiritual, cultural e social. O animal pode ser fantasia, defesa, imagem arquetípica, linguagem do trauma, busca de pertencimento, experiência espiritual, identidade criativa ou, em alguns casos, sinal de sofrimento clínico mais grave.
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