Mas tenho ainda mais motivos, a saber, para invejar a arte poética de Gisela Sardinha: O seu tratamento honesto e desassombrado da temática da paixUcirc;ão, do amor e do erotismo e a coragem de expUcirc;r as suas vivUcirc;ªncias nesse domínio (veja-se, por exemplo, os poemas PaixUcirc;ão, Olhos nos Olhos e Cartas a N) numa sociedade de matriz judaico-cristUcirc;ã, como a nossa, que continua ainda a ser muito de vícios privados, públicas virtudes e onde a sexualidade feminina e masculina ainda é demasiado vivida em duplo padrUcirc;ão; O seu fino sentido de humor, sinal de muita inteligUcirc;ªncia, que permeia, por exemplo, poemas como Ulisses a Penélope, CanUcirc;çUcirc;ão da Crise, Temporal, As Cores das Coisas; A sua grande ligaUcirc;çUcirc;ão com a cultura da Antiguidade Clássica, abertamente expressa nos poemas Lésbia a Catulo, Ulisses a Penélope, Aniversário e na forma de versificaUcirc;çUcirc;ão escolhida para vários outros; Como está explícito nos seus poemas, Gisela Sardinha nasceu numa ilha, rodeada pelo Mar que é móvel e mais fixo do que a estrela polar, gosta de sol, de mar azul e conhece bem o fogo da paixUcirc;ão: Tu e eu. O que é que há mais no mundo?. In Prefácio, Carlos Pina e Brito
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